Como a baleia acabou nas profundezas da floresta tropical brasileira?
A natureza e seus animais são fascinantes, estranhos e perigosos. Quando menos se espera, é possível ser surpreendido por aparições inusitadas ou até mesmo por ataques. Em uma dessas aparições incomuns, o mais recente caso que chamou a atenção de todos foi o da baleia Jubarte encontrada no meio da floresta amazônica. O animal de […]
A natureza e seus animais são fascinantes, estranhos e perigosos. Quando menos se espera, é possível ser surpreendido por aparições inusitadas ou até mesmo por ataques. Em uma dessas aparições incomuns, o mais recente caso que chamou a atenção de todos foi o da baleia Jubarte encontrada no meio da floresta amazônica.
O animal de 10 toneladas foi encontrado sem vida, na ilha de Marajo, na foz do rio Amazonas. De acordo com os biólogos do Instituto Bicho D’água, a carcaça é de uma cria de baleia, com cerca de um ano de idade e 8 metros de comprimento. Como a baleia se encontra em uma área de difícil acesso, não foi possível removê-la para análise. Por causa disso, uma equipe de profissionais recolheu amostras que foram enviadas para laboratórios nas cidades de Belém e Rio de Janeiro, para descobrir a causa da morte do animal.
A análise dos tecidos e da pele também pode dizer com mais certeza se o animal foi pego por uma rede de pescadores, atingida por um barco e retirada de sua rota, ou até mesmo se, confirmando algumas especulações, sufocou com a ingestão de grandes quantidades de plástico.
A dificuldade atual para os especialistas é garantir que o material coletado seja suficiente. Dependendo do estado de decomposição do animal, algumas informações podem ser perdidas para sempre. Há também a possibilidade de, no futuro, extrair o esqueleto do animal para estudos no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
O que mais chama atenção no caso, e intriga os especialistas, é como o animal foi parar no meio da floresta amazônica, sem ferimentos aparentes, e completamente fora de temporada. O período mais comum para se encontrar baleias Jubarte do Hemisfério Sul na região, conhecida por ser uma área de reprodução e para dar a luz aos filhotes, é de Agosto a Novembro. A esta altura as baleias estariam na Antártida para se alimentar.
Com base nesses fatos, a teoria é de que uma baleia doente, desorientada ou recém emancipada pode se perder e parar em áreas mais rasas e incomuns para a espécie. Pelo perfil do animal encontrado, ela era considerada um filhote recém emancipado da mãe. É possível que, ao flutuar perto da costa, tenha sido arrastada pela maré alta.
Este não é o primeiro caso atípico de baleias perdidas na região. Em 2007, uma baleia minke encalhou no rio Tapajós, a cerca de mil quilômetros do Oceano Atlântico. A teoria também era de que o animal havia se perdido de sua rota e encalhado ali. Apesar de resgatada, a mesma também não sobreviveu. Com todas as teorias e especulações, o mistério só será esclarecido completamente depois dos resultados da autópsia do filhote. Com os estudos moleculares feitos a partir das amostras coletadas será possível saber exatamente a origem do animal e a causa da morte da mesma.